segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Cortejo

Cortejar-te eu gostaria
Mas sinto que não deveria
Encantar-te precocemente.

Mentes quando dizes que sente?
Se sentes por favor não inventes
De fingir não sentir.

Se sem ti não me imagino
Contigo também não me vejo
Se ao final deste cortejo
Será um "pra sempre" ou "adeus."

Melancolicamente

Melancolicamente me vi
Sim, no espelho, olhei para mim
Vi um semblante, sem alma nem sonhos
Em um teatro de falsos risonhos
Fiz-me também um ator.

Atormentado vivia
Atormentado me via
Só e calado sofria
Melancolicamente.

Mortos vivos não existem
Mas vivos mortos insistem
Em posar de vivos.

Pobre índio

Quem é essa conspícua figura
Sem alma e nua
Que vem para cá?

Pardo avermelhado
De desenho perfeito
Estranho sujeito
Que vem bem de lá.

Lar do estranhos
Costumes tamanhos
Que bela paisagem
À beira do mar!

Doce veneno
Esse corpo moreno
Divino e terreno
A me encantar.

Cantar eu queria
Pelo belo que via
Mas daqui se ouvia
"Traga-os para cá!"

Toda beleza
Toda riqueza
Tomadas à força
Levadas pra lá.

Lar dos estranhos
Costumes tamanhos
Que bela paisagem
À beira do mar!

Pobre criatura
Sem alma e nua
De tudo despida
Que vem para cá.

Amantes

Não há um indivíduo tão frio e severo
Que um dia não se encante
O amor domina o inimigo
E desdenha do amante.

Falantes proferem palavras
Amantes, poesia
Farsantes musicalizam o amor
Amantes vivem a melodia.

A vida pena na mesmice
A morte segue triunfante
O amor traça seu curso
Desdenhando dos amantes.

Tão triste é a morte

Tão triste é a morte
Cruel fim da vida
Ou de morte matada
Ou de morte morrida
Oh, que vida sofrida!

Gente que vai de volta
Gente que vai de ida
Vai de morte matada
Ou de morte morrida.

A vida é pra quem tem sorte
Sorte essa é a de viver
Mas pra quem pena na morte
Não o privilégio de nem mesmo sofrer.

Por isso, meu amigo, aproveite a vida
Pois um dia você irá
Ou de morte matada ou de morte morrida.