sábado, 23 de março de 2019

Vou-me embora de Pasárgada

Vou-me embora de Pasárgada
Triste, sou amigo do rei
Pois as belezas de minha terra
Por aqui não encontrei
Vou-me embora de Pasárgada

Conterrâneos de Pasárgada
Sinto, mas partirei
Arrebataria todos os meus primores
Pelos amores que lá deixei

Vou-me embora de Pasárgada
Pois minha terra tem palmeiras
E aqui só tem Joana
E mulheres interesseiras
Que me improperam perante o rei
Logo, aqui não ficarei
Vou-me embora de Pasárgada.

sábado, 16 de março de 2019

A dor do parto

Se tu partes, me partes
Com tua ausência me quebrantas
Triste dor que em mim plantas
Ao partir, partes a mim

Cesse o canto dos pássaros
As colinas mais formosas
O gracejo dos abraços
E a beleza das rosas

A partir de um momento
Sinto-te vindo a mim
Mas se tu partes, me partes
Ao partir, partes a mim

quarta-feira, 6 de março de 2019

A arte de um mentiroso

Não há nada mais primoroso
Do que a arte de um mentiroso.

Existe o mau mentiroso
Que alopra-se em seu devaneio,
Diz que foi mas ficou,
Que chegou mas não veio.

Temos também o ator
De inventividade deslavada,
Chora e debruça-se todo,
Que de tudo não fez nada.

Há o mentiroso inocente
A quem não importa o que lhe acometeu,
Esquiva-se de todo acusatório
Só dizendo um "não fui eu".


terça-feira, 5 de março de 2019

Trecho de canção: Sem você

Sem você não sou ninguém
Como pássaro sem asa
Como criança sem casa
Sem você não sei amar

Sem você
Como desenho sem cor
Um abraço sem amor
Sem você não tem sabor

Sou uma estrela sem luz
Quando não contemplado pelo brilho do teu sol
(...)

Pois só você

Faz do inferno o paraíso
Com teu abraço, teu sorriso
Musa da minha canção

Com teu toque faz um verso
Com teu abraço, o universo
É a minha inspiração

E se eu chorar a falta que você me faz
Acrescentarei um verso a mais nesta nossa canção
(...)

domingo, 24 de fevereiro de 2019

A tristeza de quem ama

A tristeza de quem ama
E não é correspondido
É como vela sem chama
É um menino perdido

Chorando a soluçar
Por saber que está fadado
A pra todo sempre amar
E a nunca ser amado

Quem me dera amado fosse
A merencória vida trouxe
A solidão como amiga

A tristeza de quem ama
E não é correspondido
É como vela sem chama
É um menino perdido.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Cortejo

Cortejar-te eu gostaria
Mas sinto que não deveria
Encantar-te precocemente.

Mentes quando dizes que sente?
Se sentes por favor não inventes
De fingir não sentir.

Se sem ti não me imagino
Contigo também não me vejo
Se ao final deste cortejo
Será um "pra sempre" ou "adeus."

Melancolicamente

Melancolicamente me vi
Sim, no espelho, olhei para mim
Vi um semblante, sem alma nem sonhos
Em um teatro de falsos risonhos
Fiz-me também um ator.

Atormentado vivia
Atormentado me via
Só e calado sofria
Melancolicamente.

Mortos vivos não existem
Mas vivos mortos insistem
Em posar de vivos.

Pobre índio

Quem é essa conspícua figura
Sem alma e nua
Que vem para cá?

Pardo avermelhado
De desenho perfeito
Estranho sujeito
Que vem bem de lá.

Lar do estranhos
Costumes tamanhos
Que bela paisagem
À beira do mar!

Doce veneno
Esse corpo moreno
Divino e terreno
A me encantar.

Cantar eu queria
Pelo belo que via
Mas daqui se ouvia
"Traga-os para cá!"

Toda beleza
Toda riqueza
Tomadas à força
Levadas pra lá.

Lar dos estranhos
Costumes tamanhos
Que bela paisagem
À beira do mar!

Pobre criatura
Sem alma e nua
De tudo despida
Que vem para cá.

Amantes

Não há um indivíduo tão frio e severo
Que um dia não se encante
O amor domina o inimigo
E desdenha do amante.

Falantes proferem palavras
Amantes, poesia
Farsantes musicalizam o amor
Amantes vivem a melodia.

A vida pena na mesmice
A morte segue triunfante
O amor traça seu curso
Desdenhando dos amantes.

Tão triste é a morte

Tão triste é a morte
Cruel fim da vida
Ou de morte matada
Ou de morte morrida
Oh, que vida sofrida!

Gente que vai de volta
Gente que vai de ida
Vai de morte matada
Ou de morte morrida.

A vida é pra quem tem sorte
Sorte essa é a de viver
Mas pra quem pena na morte
Não o privilégio de nem mesmo sofrer.

Por isso, meu amigo, aproveite a vida
Pois um dia você irá
Ou de morte matada ou de morte morrida.